Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas do Bairro da Liberdade em São Paulo

O maior festival de rua japonês fica no Brasil. Parece estranho um Festival vindo do Japão ser maior aqui no Brasil, mas é verdade. O Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas recebem mais de 220 mil pessoas no fim de semana do evento. O Evento é realizado a 41 anos no Bairro da Liberdade, feito pelos próprios moradores e associação do Bairro, a ACAL – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade.

O Bairro da Liberdade é a maior comunidade japonesa fora do Japão. Esses imigrantes vieram do navio Kasato Maru que atracou em Santos, onde trouxe 165 famílias de camponeses para trabalhar nas fazendas de café em São Paulo, em 1908.

No bairro da Liberdade tem o Museu Histórico da Imigração Japonesa que conta os mais de 100 anos da imigração com peças, artefatos, arte, livros, e muito mais coisas maravilhosas. Recomendo a visitação, e mais informações de preços e horários. (http://www.museubunkyo.org.br/ )

O Festival das Estrelas é celebrado no Japão desde o século 9 e conta a história da princesa tecelã Orihime.

A lenda de Tanabata Matsuri, a princesa tecelã

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Era uma vez, uma única vez na história, no tempo da formação do Universo. O soberano Celestial, (Tem no Ô) ainda estava atarefado em confeccionar estrelas e dependurá-las no firmamento, para brilhar durante a noite. Também as nuvens ainda estavam sendo tecidas e, esta tarefa cabia a bela filha do Soberano Celestial, a princesa Tanabata Tsume. Ela sabia como ninguém, fazer as mais tênues tramas de tecido e justamente por isso, era conhecida como Orihime, a Princesa Tecelã.

Dia após dia, ela trabalhava sem parar em seu tear. Dele saiam tecidos tão leves e diáfanos, tão finos, macios e maleáveis, que seu pai os pendurava no céu entre as estrelas, por vezes deixando-os cair em pregas até quase tocarem a Terra. Hoje damos a estes tecidos o nome de nuvem, névoa e cortina de nevoeiro, conforme a densidade.

Inteiramente absorvido pela tarefa de formar o céu, o Soberano Celestial orgulhava-se muito da habilidade da filha e a ajuda de Orihime era muito valiosa. Porém um dia, ele percebeu que a Princesa Tecelã estava pálida. E disse:

– Filha, tens trabalhado tanto que bem mereces um pouco de descanso. Hoje está dispensada de tecer, e pode folgar o dia inteiro. Aproveite para visitar o Amanogawa. Mas não se esqueça de voltar ao trabalho amanhã, pois ainda necessito de delicadas cortinas de nevoeiro para as manhãs de primavera, e porções de nuvens brancas para o verão.

Orihime sentiu-se muito feliz. Há muito tempo desejava caminhar descalça em Amanogawa – o rio Celeste, conhecido no sul da margem oposta (Brasil) como Via Láctea, e divertiu sem preocupar. Até então não sobrava tempo para tamanha descontração.

A Princesa Tecelã, vestiu seu mais belo kimono e correu dançando por entre as estrelas do Rio Celeste. No meio da Via Láctea avistou, no meio da correnteza estelar, um belo jovem com chapéu de caipira, banhando um boi.

-Quem é você ó bela donzela? Perguntou o jovem vaqueiro.
-Sou a estrela Shokujosei no Tanabata Tsume, filha de Ten no Ô, o Soberano Celestial, mas me chamam de Orihime, a Princesa Tecelã, respondeu ela. Também sou conhecida no Hemisfério Sul da Via Láctea com o nome de estrela Vegas.

-Meu nome estrelar é Altair, o vaqueiro, mas no Extremo Oriente da Via Láctea me chamam de Kengyu no Hikoboshi – se apresentou o pastor de gado.
Daquele encontro casual começou a brotar um sentimento de felicidade, nunca antes sentido por Orihime. Os jovens se divertiram muito, brincando de pega-pega, rindo e correndo no rio Celeste. Depois a convite do Vaqueiro, Orihime concordou em visitar a casa dele.

Hirokoboshi ajudou a princesa montar no boi, e conduziu-a através da Via Láctea em direção ao Hemisfério Sul, seu lar. Lá chegando, se divertiram muito dançando juntos no prato celeste. Tamanha era a felicidade da princesa que esqueceu completamente as recomendações do pai, e os dias se passaram.

Preocupado com a demora da filha, o Soberano Celestial ficou desesperado. Chamou uma garça e mandou fazer uma busca, encarregando-a de dizer a princesa que voltasse o mais depressa possível ao Palácio Celeste. A garça avistou a princesa dançando na margem oposta da Via Láctea, e deu-lhe o recado. Porém, Orihime, estava tão feliz e divertindo-se como nunca que não deu ouvidos ao pássaro mensageiro.

Cansado de esperar e muito zangado com a desobediência da filha, o Soberano Celeste foi buscá-la pessoalmente:
– Não destes ouvidos a minhas palavras! – disse o deus do Espaço Celeste – olha o céu! Ainda falta muito trabalho a ser feito, e ficas aí com namoricos, quando precisamos de nuvens, névoa e cortinas de nevoeiro. Portanto não poderei mais dispensá-la do trabalho. Tens que voltar ao palácio e continuar a tecer.

E o Soberano Celestial despejou grande volume de água estelar no Rio Celeste. Então a Via Láctea que era largo porém raso que se podia atravessar a pé, foi transformado em rio caudaloso, tantas eram as águas de estrelas que a divindade celeste havia despejado.

Como a princesa Tanabata (Orihime) e o vaqueiro Altair moravam em margens opostas do Rio Celeste, ou seja, em hemisférios opostos da Via Láctea, não havia meio de se encontrarem mesmo as escondidas. Portanto a princesa voltou melancolicamente junto ao tear no Palácio Celeste.

Porém sentia-se tão solitária, e com tanta saudade de Altair, que não conseguia mais tecer. Ficava apenas sentada e chorando incessantemente. Ela havia descoberto que era mais feliz no pobre casebre rural do caipira vaqueiro do que no suntuoso palácio de seu divino pai.

No Hemisfério Sul, a estrela do vaqueiro Altair, também morria de saudades e passava o dia todo tocando sua sanfona e cantando:

Olé, mulher rendeira.
Olé, mulher rendá.
Tu me ensina a fazer renda
Que eu te ensino a namorar.

O vento levava a canção até o Palácio Celeste, que aumentava a saudade da princesa. De tanto chorar as nuvens que restavam no céu, desmancharam em forma de lágrimas e despencaram na Terra em forma de chuva.

O Soberano Celeste ficou desesperado porque com o volume de chuva caindo a Terra, iniciaram-se as inundações na Terra enquanto que no céu as nuvens foram desaparecendo. Então ele procurou a filha e disse:

-Por favor, minha princesinha, pare de chorar. Necessitamos tanto de nuvens, névoas e cortinas de nevoeiro para manter o equilíbrio da natureza. Por outro lado, se você continuar chorando, vai causado um dilúvio universal, que não restará um só vivente na Terra para contar a história. Vamos fazer um acordo e acabar com essa greve. Você volta a tecer com diligência e eu te concedo um dia livre por ano para ver o vaqueiro celeste.

Tais palavras devolveram a alegria à princesa, e ela retornou com entusiasmo o trabalho. E desde então nunca mais parou de tecer.
Mesmo sabendo que no futuro a princesa poderia requerer mais dias de folga, o Soberano Celeste cumpriu fielmente sua promessa. Uma vez por ano, na semana dos imigrantes japoneses, ele envia mil garças (senba tsuru) para o Rio Celeste, que com suas asas, eles formam uma ponte sobre as águas estelares profundas.

Trajando um lindo kimono, Orihime atravessa a ponte das Mil Garças e corre alegremente para a margem oposta ao encontro do seu amor. Altair, o fiel pastor de gado, que a aguarda ansiosamente.

Ambos se sentem radiantes por poderem ficar juntos durante um dia e uma noite. Dizem que um dia estelar equivale a uma eternidade terrestre. Por isso o amor dos dois é infinito.

Adaptação Cláudio Seto

Tanabata Matsuri e suas estrelas

Festival Tanabata Matsuri – Bairro da Liberdade

Com essa linda história, como na tradição da festa são colocados 80 bambuns gigantes para colocar os Tanabatas nas ruas do bairro e na praça onde ocorre o evento principal. Decoração que parece estrelas ou cometas coloridos, são lindos. Os tanzakus são os papéis coloridos, onde coloca seus desejos as estrelas. Cada cor significa um desejo: branco – paz, vermelho – amor, amarelo – dinheiro, azul – saúde e proteção, verde – esperança, etc. Pendura nas árvores do bairro, assim fica um cenário para belas fotos cheios de desejos. No fim do festival os papéis são todos recolhidos e queimados. Para que todos os desejos sejam levados as estrelas para serem realizados.

O Festival Tanabata Matsuri do Bairro da Liberdade

Tanzakus no Bairro da Liberdade
Tanzakus dos desejos no Bairro da Liberdade

O evento traz manifestações culturais japonesas com música e apresentações tradicionais orientais. O palco de apresentação fica na Praça da Liberdade, logo da saída do metro do bairro da Liberdade. Ache um cantinho com ótima visualização e não saia dali. Pois perde o lugar facilmente. As apresentações são muito diversificadas com mais de 500 voluntários bailarinos e participantes de grupos japoneses. O destaque são as apresentações de Taikô, são grupos que misturam coreografias com tambores e movimentos de artes marciais.

Um festival não pode faltar a gastronomia, e quem conhece o bairro da Liberdade sabe que é uma referência na cidade em alimentação. Com as feirinhas semanais que são um sucesso. A quantidade de barracas de todos os tipos de comida oriental. O problema que mesmo com a quantidade e variedade de alimentação não é suficiente para atender a quantidade de pessoas que visitam o bairro. As filas eram enormes e na verdade não adiantava muito escolher o que realmente queria. Entrava na menor fila que achava que seria e ficava. Mesmo assim a qualidade da alimentação mesmo com agilidade para atender todo esse público não se perdeu. Os produtos frescos e bem preparados. Como as ruas do bairro são estreitas, poderiam estender as barracas por outras ruas ou mesmo que fosse na rua Galvão Bueno de um lado somente. Colocaram as barracas de frente uma a outra, para passar ficava quase impossível ou andava forçado pelo fluxo de pessoas. Isso tem que ser revisto, já que o festival foi bem divulgado e no próximo ano deve aumentar o publico.

Com um público tão grande deveria ter mais policiais no local, percebemos muitos moradores de rua no local. E com muitas pessoas juntas podem ocorrer furtos nas bolsas. Mesmo que seja um evento aberto, tem que se preocupar mais com a segurança dos participantes.

O Bairro da Liberdade é um ótimo passeio mesmo fora desses eventos, pois conseguirá apreciar e aproveitar com mais tranquilidade as atrações do bairro. Na praça, além do acesso ao metro, agora tem o ônibus turístico. É o famoso Hop On Hop Off de várias capitais internacionais. Tem o mesmo sistema que paga o bilhete a bordo e passa por diversas atrações em um roteiro. Você pode descer do ônibus e aproveitar as atrações próximas do ponto. Assim que visitar, volte ao ponto e espere o próximo ônibus. Os horários, roteiro e valores, pode encontrar aqui: http://cidadedesaopaulo.com/v2/vivasp/circular-turismo/ Muito bacana como São Paulo uma das maiores metrópoles do mundo ter uma opção de linha turística.

No festival fomos entrevistados pelo jornalismo da Globo. Minha mãe que apareceu mais. Nesse link, encontra o vídeo: https://globoplay.globo.com/v/7764620/ .

Curti muito esse festival, recomendo a visita no festival e o passeio pelo bairro da Liberdade fora de épocas festivais.

Como guia de turismo levei um grupo para conhecer essa maravilhosa festa e vivenciar um pouco da cultura oriental.

Grupo YNC Viagens e Turismo
Grupo da YNC

Natasha Florencio

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